24.9.11

Função da escola...

Sérgio Niza, professor universitário com uma longa carreira alicerçada na Educação, aprofunda o papel vital da leitura, da escrita e da importância da preparação intelectual do professor para que se gere o conhecimento. Crítico contundente (embora nem sempre passível de concordância) e num discurso frontal, declara-se contra uma postura “clássica” no ensino. Saliento estas passagens: 

“SN: Os caminhos da cultura e da educação, que se fundem, requerem continuidades muito grandes. Transformações, mas continuidades. Raramente saltos! (…) 

 E: Esse ancoramento na história e na cultura vem marcar toda a tua visão da escola e da pedagogia. 

 SN: A Escola para mim é um instrumento poderosíssimo para regular e construir a pluralidade cultural e fazer caminho para a unidade da ciência. E se se perde essa dimensão, perde-se tudo. Sempre entendi um professor como um intelectual, como um trabalhador intelectual. (…) E que um dos seus instrumentos mais poderosos, também um dos artefactos mais poderosos da invenção humana, é a escrita. (…). É através da acção de construção de textos pela fala e pela escrita, que se constrói também o conhecimento. Esta falta de consciência leva a que só o professor é que fala. Mas se o aluno não pode falar o conhecimento, está impedido de utilizar uma estratégia fortíssima para a construção do conhecimento. Se o aluno não escreve o conhecimento, se só responde a perguntas, como é que constrói a escrita do conhecimento? (…) 

Os professores têm de aspirar sempre, não só a ser práticos, mas a pensar e a construir discursos sobre as suas próprias práticas (…) Essa possibilidade de pensar, projectar, dialogar a profissão é que funda a profissão. (…). 

No diálogo que tenho mantido com António Nóvoa cheguei à conclusão de que teremos de acentuar mais a responsabilidade pública da educação. E voltar a rever, em conjunto, em sociedade, os vários papéis educativos: quer das famílias, quer das organizações privadas, quer das várias organizações públicas a vários níveis (desde os municípios, juntas de freguesia, Estado central, etc.). Rever os tempos e as acções e, provavelmente, rever também as responsabilidades da escola. Porque o que está a acontecer é uma inflação brutal de funções e responsabilidades todas atiradas para a escola (…)

 (…) A apropriação do conhecimento faz-se pela construção e pela acção, pela fala ou pela escrita, e não é possível construir aprendizagens sem falar e escrever as aprendizagens. A construção do conhecimento, historicamente, foi sempre feita assim: dialogando, escrevendo. É necessário criar ambientes onde os alunos possam falar, possam dizer o conhecimento, escrever o conhecimento e pô-lo a circular, principalmente na sua comunidade, para perceberem, desde logo, como conhecer é socialmente útil. Eu não estou a aprender para amanhã. Eu estou a aprender para já. Tudo o que eu aprender tenho de partilhá-lo com os outros para ajudar os outros, e se estou a fazer um estudo eu apresento-o aos outros e submeto-o ao juízo dos outros. É ali que ganha sentido. Não é ao professor que eu vou ensinar. O professor é uma figura um pouco imaginária. O aluno tem de produzir para as pessoas reais, com o professor também lá dentro e que o ajuda a ir mais longe.”

 Revista Educação. Temas e Problemas (Publicado no blog vox nostra)

22.9.11

O significado da Educação

Como ocurre con casi todo en la vida, no hay una única y simple verdad sobre la educación, pero hay un acuerdo bastante básico entre los especialistas en señalar que la educación significa el desarrollo integral de los individuos más allá de la preparación profesional, algo que incluye necesariamente comprender la naturaleza de las cosas y el mundo que nos rodea. La educación es una guía imprescindible para captar los entresijos de la sociedad tan compleja que hemos creado. Conocimiento, respeto por las personas y ambición por ampliar los estrechos horizontes de la pequeña comunidad de vecinos, familia y amigos en la que cada uno habitamos. Esas son tres cualidades básicas de la educación. La educación es un privilegio que no puede dejarse en manos de los burócratas, de los amantes de las estadísticas y del currículo, de quienes desprecian a los profesores y limitan su autoridad ante los alumnos, los padres y la sociedad en general.

Julián Casanovas  in “El valor de la educacion”, publicado no El Pais.

Questões educacionais de nosso tempo...

“Inevitavelmente, as escolas nem sempre têm sucesso ao capacitar alunos a adquirir conhecimento poderoso. Também é verdade que as escolas obtêm mais sucesso com alguns alunos do que com outros. O sucesso dos alunos depende altamente da cultura que eles trazem para a escola. Culturas de elite que são menos restritas pelas exigências materiais da vida são, não surpreendentemente, muito mais congruentes com a aquisição de conhecimento, independente de contexto, que culturas desfavorecidas e subordinadas. Isso significa que, se as escolas devem cumprir um papel importante em promover a igualdade social, elas precisam considerar seriamente a base de conhecimento do currículo, mesmo quando isso parecer ir contra as demandas dos alunos (e às vezes de seus pais). As escolas devem perguntar: “Este currículo é um meio para que os alunos possam adquirir conhecimento poderoso?”. Para crianças de lares desfavorecidos, a participação ativa na escola pode ser a única oportunidade de adquirirem conhecimento poderoso e serem capazes de caminhar, ao menos intelectualmente, para além de suas circunstâncias locais e particulares. Não há nenhuma utilidade para os alunos em se construir um currículo em torno da sua experiência, para que este currículo possa ser validado e, como resultado, deixá-los sempre na mesma condição.”


Michael Young
in Educ. Soc., Campinas, vol. 28

19.9.11

CONCURSO DE POESIA

PARTICIPEM DO I CONCURSO ALTO TAQUARI EM VERSOS

CLIQUE NO LINK E LEIA O REGULAMENTO











4.9.11

FRASES


"Quando alguém vos mostrar os grandes e poderosos da terra e vos disser: Aí estão os teus amos, não lhe deis ouvidos. Se forem justos, serão vossos servidores; se injustos, vossos tiranos."
Félicité Robert de Lamennais:
 filósofo e escritor político francês.

"Cada um tem de mim exatamente o que cativou, e cada um é responsável pelo que cativou, não suporto falsidade e mentira, a verdade pode machucar, mas é sempre mais digna. Bom mesmo é ir a luta com determinação, abraçar a vida e viver com paixão. Perder com classe e vencer com ousadia, pois o triunfo pertence a quem mais se atreve e a vida é muito para ser insignificante. Eu faço e abuso da felicidade e não desisto dos meus sonhos. O mundo está nas mãos daqueles que tem coragem de sonhar e correr o risco de viver seus sonhos."
Charlie Chaplin, foi ator, diretor,
dançarino, roteirista e músico britânico.

"A utopia está lá no horizonte. Me aproximo dois passos, ela se afasta dois passos. Caminho dez passos e o horizonte corre dez passos. Por mais que eu caminhe, jamais alcançarei. Para que serve a utopia? Serve para isso: para que eu não deixe de caminhar".
Eduardo Galeano:autor de mais de quarenta livros de ficção,
 jornalismo, política e História

1.9.11

"Há três tipos de pessoas - as que criam cultura, as que consomem cultura e as que não se importam minimamente com o assunto.

Mova-se entre os dois primeiros grupos."

Karim Rashid
mas qual é o 'eu' que sobrevive?
aquele que as pessoas vêem,ou aquele que eu julgo ser?
(yukio mishima)