17.8.21

Contos

 

Palavras: Maca, xarope e jornalistas.

 

Assim que o senador foi levado de maca para a ambulância, seu secretário escondeu o xarope que estava sobre a escrivaninha. Queria evitar que os jornalistas vissem a bebida.

 

 

 

 

Palavras: Manchar, bebida e ninho.

 

João sabia que aquela bebida poderia manchar a sua reputação. Jogou o resto pela janela atingindo o ninho de beija flor na roseira.

9.8.21

Vadiagem

 

Vagueio a esmo
pelos cantos do vácuo.
Sinto a ausência
de algo que me sustenta.
Percorro os labirintos
de sonhos sem rumos.
Percorro caminhos espinhentos
e me perco no espaço e no tempo
Vejo direções que se bifurcam
e me leva ao abismo.
Ninguém me ouve.
Tenho perguntas sem respostas
lançadas aos ventos;
Grito! Ninguém responde.
Todos têm seus ritmos
e suas preocupações.
Do livro "Anjo Rosa"

1.8.21

JANELA

 

Houve um tempo que eu
queria uma janela só para mim
onde eu pudesse debruçar e
ver a chuva caindo
onde eu pudesse ver o sol
vagaroso se escondendo no horizonte
onde eu pudesse sentir no rosto
o aroma das manhãs.
A noite eu veria o reflexo
do luar na relva verde
e contemplaria o caminho leitoso
de infinitas estrelas.
Hoje eu tenho uma janela só para mim
com grades que não permitam eu debruçar
com um muro cinza que não deixa
eu ver a relva verde.
Eu continuo querendo uma janela
só para mim
que me permita viver e sonhar.

Descontente


Ultimamente estou descontente com algumas coisas:
Acho que não estou fazendo a coisa certa;
Acho que não estou pagando o preço certo (tudo caro);
Acho que estou deixando de fazer meus deveres;
Acho que estou fugindo de meus princípios;
Acho que estou desvirtuando de meus sonhos;
Acho que não estou me esforçando como deveria;
Acho que estou sendo enganado;
Quero findar esse descontentamento e não sei como.
Quero aprumar os meus sonhos e não consigo.

28.7.21

Foi um engano!


Enquanto eu sonhava,
você ria.
Enquanto eu persistia,
você ria.
Não acreditei
quando constatei
que tudo foi um engano.
Meu coração está machucado,
dilacerado,
amedrontado,
tudo isso por acreditar
que era possível.
Acreditei que o desejo
superaria as regras.
Acreditei que o amor
superaria desavenças.
Acreditei em paixão.
Agora sei que você
é um engano.
Ou não?
Valter Figueira
Poema publicado na Coletânea: Noites de Poesia em Portugal

Miniconto

 

O baque do caminhoneiro foi inocente comparado ao golpe sofrido pelo ciclista quando as molas o atingiu expondo sua fíbula no asfalto molhado.
Valter Figueira

Microconto


Crime
Sobre o balcão do bar doze pires. Na beira da piscina doze xícaras. Na água doze corpos. Foi um amargo chá.