20.2.20

A dor da despedida



Lentamente retiraste tuas coisas
teus pertences,
e o vento me trouxe
em pequenas doses
a dor da despedida que temia.
Foram dias intermináveis de
silêncio imprudente
que soavam em meus ouvidos
como uma canção de despertar.

Lá fora a chuva
e aqui dentro no coração a umidade
contagia  meu corpo
e as lágrimas produzem
notas tristes de uma canção solitária.

Que pena que você  foi embora
saiba que ficou um vazio imenso
saiba que há muros vazios esperando
seu nome
e eu esperando para trocar

12.2.20

Deixe Estar


Quando me encontro em dificuldades
lembro das palavras de minha mãe,
ela dizia: Deixa estar, deixa pra lá!
A vida é longa para se entristecer
não deixe os espinhos da estrada lhe torturar
lute bravamente por aquilo em que acredita
num dia esplendoroso a vitória conquistará.

Quando eu sofria bullying na escola
e chegava em casa chorando
não queria voltar mais para lá.
Minha mãe dizia:
- Deixa estar! Deixa pra lá!
Aqueles meninos um dia, não muito longe
vão precisar de ajuda e te procurarão.
Lute por aquilo em realmente acredita
num dia tranquilo e sereno a vitória conquistará.

Quando sofro devido a depressão
e penso em até a minha vida acabar
isolo-me em minhas lembranças e digo:
- Deixa estar! Deixa pra lá!
Não deixe uma queda definir o seu destino
aumente o impulso para o abismo ultrapassar.
Lute sem tréguas por aquilo que certamente acredita
num dia de muita alegria a vitória conquistará.

Quando encontro pessoas que me magoam
e penso da minha árdua luta desistir
faço uma profunda reflexão e digo:
- Deixa estar, deixa pra lá!
Não posso deixar que algo pequeno atrapalhe
a autoestima é minha e preciso alimentar
eu luto por aquilo em claramente acredito
e sei que num dia ao brilho do sol a vitória chegará.

29.1.20

Meu Coração.





Meu coração de manhã sístole,
à tarde diástole.
À noite arrítmico
etílico e poético
viaja por mundos encantados
nas páginas de um livro.

Inocência III





Você pediu: Me encante!
Enviei-lhe um correio elegante.
Você pediu: Surpreenda-me!
Fiz um poema.
Você pediu: Me faz sorrir!
Elogiei o café de sua avó.
Você pediu: Me emocione!
Cantei Total eclipse of  the heart
da Bonnie Tyler.
Você pediu: Me ame!
Beijei-lhe ardentemente.
Anoiteceu e uma turbulência nos distanciou,
hoje somos boas lembranças:
éramos inocentes.


Inocência





Conduza-me! Você disse.
Liberte-se! Eu respondi.
E ficávamos entre o ser e o querer.
Abrace-me! Você disse.
Encante-se! Eu respondi.
E ficávamos entre o estar e o fugir.
Beije-me! Você disse.
Encontre-se! Eu respondi.
E ficávamos entre o sentir e o chorar.
Apoie-me! Você disse.
Distingue-se! Eu respondi.
E ficávamos entre o sonho e o medo.
Abandone-me! Você disse.
Explore-me! Eu respondi.
E ficávamos entre o beijo e a saudade.

A garota do poema II.





Um último beijo eu solicitei
com o gosto típico do café da avó.
No autofalante da praça
tocava Love Hurts.
E eu lhe disse que o amor machuca
você disse que tudo logo passará
somos jovens e que o amor
é uma mentira feita para torná-lo azul.
-Eu era o azul que desbotaria-
O amor machuca, deixa cicatrizes.
Disse-lhe que havia escrito um poema
você não entendeu
Disse-lhe: love hurts, estou ferido
e definharei pelos cantos do mundo.
Você disse sorrindo: o mundo é
redondo e você contornará com facilidade
é só ter cuidado nas curvas do destino.