20.2.17
Estou só
Estou só numa multidão apressada
que passam e nem olham para trás
que sonham e buscam caminhar
entre o vento e o tempo.
que passam e nem olham para trás
que sonham e buscam caminhar
entre o vento e o tempo.
Estou só numa multidão de pensamentos
que a cada segundo me deixam a mercê
do que ser e que rumo tomar
entre a alegria e o esquecimento.
que a cada segundo me deixam a mercê
do que ser e que rumo tomar
entre a alegria e o esquecimento.
Estou só numa encruzilhada escura
só sei tatear as labaredas de um pesadelo
que tonteia e quer me derrubar
entre o sorriso e a lágrima.
só sei tatear as labaredas de um pesadelo
que tonteia e quer me derrubar
entre o sorriso e a lágrima.
Estou só num emaranhados de afazeres
que não sei como começar e sonho em segui-los
que tristemente quer me alcançar
entre o caminho e a vida.
que não sei como começar e sonho em segui-los
que tristemente quer me alcançar
entre o caminho e a vida.
Valter Figueira
11.9.16
Tento
Tento encontrar algo
para findar a dor
que deveras sinto
pelo abandono
pelo olhar de desprezo
pelo abraço ao longe
pelo grito temido
pelo gemido contido.
Procuro amenizar
a dor da saudade.
Procuro entender
a ruptura brusca.
Procuro entender
a falta de sonhos,
o desaparecimento
da poesia.
Procuro entender
a minha escolha,
a minha insanidade
a minha proeza
a minha destreza
a minha verdade.
para findar a dor
que deveras sinto
pelo abandono
pelo olhar de desprezo
pelo abraço ao longe
pelo grito temido
pelo gemido contido.
Procuro amenizar
a dor da saudade.
Procuro entender
a ruptura brusca.
Procuro entender
a falta de sonhos,
o desaparecimento
da poesia.
Procuro entender
a minha escolha,
a minha insanidade
a minha proeza
a minha destreza
a minha verdade.
7.9.16
Procuro repostas
Procuro repostas
para as minhas dúvidas
o vento está mudo
o tempo é meu inimigo
a espera é dolorosa.
Faço perguntas ao além
recebo pontos de interrogação,
continuo minha busca
tudo parece ser em vão.
não quero fazer o que todos fazem
não quero os mesmos erros
quero aprender com meus tropeços
com ou sem respostas.
O vento continua mudo.
para as minhas dúvidas
o vento está mudo
o tempo é meu inimigo
a espera é dolorosa.
Faço perguntas ao além
recebo pontos de interrogação,
continuo minha busca
tudo parece ser em vão.
não quero fazer o que todos fazem
não quero os mesmos erros
quero aprender com meus tropeços
com ou sem respostas.
O vento continua mudo.
7.8.16
Vote em mim 2
Caros amigos, sou
candidato a reeleição para o cargo de vereador, venho aqui pedir o seu voto
para continuar lutando por vocês. Eis o que fiz durante esses quatro anos que
passou:
- Na campanha passada não
contei nenhuma mentira, disse que lutaria pelo povo e realmente fiz;
- Fui o vereador que mais
visitei as comunidades fui tomar um cafezinho em todas;
- Sempre participo das
festividades, você deve ter visto, vou as festas e patrocínio elas. Quando chego
numa festa pago uma cervejinha ao pessoal do som para eles falar meu nome. Sou
sempre lembrado.
- Fui a quase todos os
velórios, participar de velório é importante, e outra tenho prova que em todos
que fui eu chorei com a família. Os velórios em que não pude ir enviei minha
esposa e ela também chora em velório, muito mais do que eu.
-Festividades nas escolas
eu sempre participo. Dou sempre um brinde para que as nossas escolas possam
arrecadar dinheiro, fazer uma rifa e assim comprar o que está faltando.
- Fui o vereador mais
atuante: indiquei 20 projetos de noção de aplausos. O povo fica contente com
uma noção de aplauso. É uma ação importante para a população, fico emocionado
quando o povo que vão a câmara municipal aplaude de pé. O mais emocionante é
saber que foi indicação minha.
- Sempre que tem uma
família passando necessidade eu vou a casa de meus compadres e assim faço uma
cesta básica para essa família. Isso é um projeto social.
- Vou sempre aos bailes
dos aposentados. Danço com a senhoras que estão sozinhas. Elas ficam contentes
e sempre votam em mim.
- Sempre que encontro
amigos nos botecos pago caipirinhas para eles é emocionante ver a alegria nos
rostos deles, é o vereador junto com o povo.
- Indiquei também que a
prefeitura pintasse os troncos das árvores nas avenidas e praças.
- Participo de todos os
eventos realizados pela prefeitura, os funcionários públicos adoram quando um
vereador participa. É o vereador presente apoiando o funcionarismo público.
- Votei a favor em todos
os projetos apresentados pelo prefeito. É o vereador trabalhando com o
prefeito.
- No dia do professor
envio sempre uma mensagem para eles. Acredito que o trabalho do professor é
muito importante. É o vereador apoiando
a educação.
- Sempre vou aos
campeonatos de futebol, sento no meio do povo, patrocínio premiações. É o
vereador apoiando o esporte.
Bem caro amigo, isso é um
pouco do que fiz e continuarei fazendo se for reeleito, é claro que conto com
seu voto. Sou um vereador que sempre está apoiando o povo.
Valter Figueira - Professor, poeta e prosador.
28.7.16
Carlinda: uma incógnita
Quando mudei para
Carlinda busquei algumas informações sobre o município, principalmente sobre a
origem do nome da cidade. Quando fui orientador de um grupo de graduação
NEAD-UFMT, alguns graduandos apresentaram na disciplina de história do Mato
Grosso, alguns momentos históricos do município. Ao acompanhar os levantamentos
dos dados para a constituição dos PPPs das escolas municipais fiquei conhecendo
um pouco mais da construção histórica de nossa cidade. E assim fui conhecendo e
hoje fazendo parte da história de Carlinda. Mas para aprofundar e conhecer
mais, faltava alguns dados. Quem foi Carlinda?
Conforme algumas
publicações que foram adotadas como reais constam que: O capitão Antonio
Lourenço Telles Pires chefe de uma comissão responsável de realizar um
levantamento geográfico navegando o Rio São Manoel, quando passou pela foz do
rio o batizou de Carlinda em homenagem a sua esposa a Sr. Carlinda Lourenço
Telles Pires, pela data da passagem coincidir com o seu aniversário. Logo após
chegando próximo a foz do Rio Paranaíta sofreu um acidente vindo a falecer, e
então deram ao rio o seu nome. Eu queria saber mais, tanto que fiz um poema
falando da proeza do Capitão e de seu amor ao homenagear sua amada. Mas quem
foi Carlinda, quando nasceu?
Utilizando a internet
como caminho para a pesquisa, no site da Biblioteca Nacional encontrei
digitalizado os boletins da Sociedade Geográfica do Rio de Janeiro, órgão que
organizou e patrocinou a comissão do Capitão Telles Pires. Lendo o seu
histórico e o relatório apresentado pelo 2º Tenente Oscar de Oliveira Miranda
descobri que: Antonio Lourenço Telles Pires nasceu em Porto Alegre de 10 de
Agosto de 1860 e faleceu em 02 de Maio de 1890. O Capitão não faleceu vítima
dos acidentes, foram dois acidentes, na ocasião do segundo o Cap. Telles Pires
já apresentava fortes sinais de febre palustre (malária). Tanto o Capitão como
o Sr. Oscar caíram doentes e apenas o Sr. Oscar sobreviveu. O seu corpo foi
enterrado num local chamado de Salto Tavares, conforme o mapa apresentado pela
instituição fica depois das corredeiras conhecida por Sete Quedas. O que
significa que o local será alagado devido a barragem da Usina Hidrelétrica. O
Tenente Oscar de Oliveira mais alguns sobreviventes aguardou cerca de 90 dias
até serem resgatado pelo Capitão José Soares de Souza Fogo que veio pelo rio Tapajós.
As anotações do Capitão
Telles Pires foram todas perdidas nos acidentes, e não há nenhuma citação sobre
a nomeação dos acidentes geográficos. Assim fica difícil confirmar o nome de
Carlinda dado ao rio. No Boletim pesquisado há um pedido de pensão a família
citando a viúva e filhos, mas não cita os nomes. Nos documentos do Senado
Federal há uma solicitação de pensão a viúva do Capitão Telles Pires só que
cita como nome da esposa a Sra. Adelaide de Paiva Telles Pires. Então se a
esposa do Capitão se chamava Adelaide. Quem foi Carlinda? Pesquisando num site
de genealogia encontrei uma citação do Capitão Telles Pires e esposa Adelaide e
um filho Álvaro. Novamente fica a pergunta no ar. Quem foi Carlinda? Pode ser
um apelido da mãe que se chamava Francisca Carolina Telles Pires. O que posso
dizer é que ainda não encontrei, continuarei procurando.
Outra informação que
acredito ser importante é que o Rio São Manoel não passou a ser chamado de Rio
Telles Pires logo após a morte do Capitão. Não há citação sobre a mudança de
nome. Em 1915 a comissão Rondon navegou o rio para as confirmações da carta
geográfica. Essa comissão foi comandada por Antonio Pyrineus de Souza. O
marechal Rondon estada em outro rio, talvez o Juruena. O marechal Rondon ficou
conhecido por renomear os acidentes geográficos, mesmos os que já estavam
nomeados. Ele rebatizava dando nomes de filhas, filhos e genros. Será que foi
ele que nomeou o rio Carlinda? Foi em seu relatório e mapa que apareceu o rio
Telles Pires. A única citação do nome Carlinda que encontrei foi num mapa feito
pela equipe do Rondon e apresentado em 1942, está denominando uma ilha que fica
próximo a foz do Ribeirão Rochedo. Ainda não aparece o rio Carlinda. O salto
Tavares mudou o nome para Cachoeira Oscar Miranda e dessa vez aparece depois da
foz do Rio Paranaíta. Buscando informações genealógicas do Marechal Rondon não
encontrei o nome Carlinda. Fica ainda essa dúvida, quem foi Carlinda? Sabendo
que a equipe de Rondon fez o mapa a partir das anotações cartográficas do
Capitão Pyrineus, é claro que ele foi nomeando ilhas, rios, cachoeiras etc.
Em resumo descobrimos que
Carlinda não foi esposa do Capitão Telles Pires; que o nome foi dado primeiro a
uma ilha e depois ao rio; que o nome da cidade de Paranaíta veio do rio do
mesmo nome e que em 1942 já tinha esse nome, então não foi em homenagem aos
paranaenses que colonizaram o local. Mas infelizmente não se descobriu quem foi
Carlinda. Fica então uma dúvida que continuarei procurando.
Valter Figueira –
Professor, poeta e prosador. Reside em Carlinda.
11.7.16
Vote em mim
Quando deparamos com o
processo eleitoral, ou melhor com a época de campanha é que procuramos saber o
que de fato fez aquele candidato que, não votamos nele e nem entendemos como
ele foi eleito. É claro que sabemos como ele foi eleito, afinal existe gente
que vota em alguns tipos que realmente dá vergonha de ser representado pelo
sujeito.
Para me explicar como é o
processo, ou melhor, para exemplificar que nos cargos eletivos existe alguns
que não poderia estar lá. Entrevistei o Sr. X, legislador e candidato a um novo
mandato. Vamos a entrevista.
Eu: Gostaria que o Sr. explicasse
como foi o seu dia de trabalho hoje.
Sr. X: Me chama de Excelência,
afinal de contas você está falando com uma autoridade.
Eu: Tudo bem Excelência,
como estou lhe entrevistando para um artigo sobre o trabalho de um legislador
me conte como foi o seu dia hoje.
Sr. X: Bem começamos com
uma oração, porque é importante glorificar a Deus e agradecer por tudo que
conquistamos. Tivemos uma reunião com secretários e depois com os meus
correligionários.
Eu: Excelência, o Sr. está
sendo acusado de desviar 50 por cento da verba para a construção de uma ponte.
Que inclusive está com problema estrutural.
Sr. X: Bem uma parte foi
direcionado para a obra de Deus, Ele sabe o quanto oramos e o quanto fazemos
para Sua obra. A ponte está bem, todos os dias oramos para que nada demais
aconteça com ela.
Eu: O Sr. Está informado
que hoje, com a passagem de um caminhão carregado de madeira ela trincou.
Sr. X: Quem foi o pecador
que passou por lá e permitiu que ela trincasse? Só pode ser um filho do diabo.
Uma pessoa carregada de pecados.
Eu: Olha Sr. X, foi o seu
irmão dirigindo um caminhão vindo de sua fazenda.
Sr. X: Então deve ser
esse povo pecador da cidade que não ora e não pratica a vontade de Deus.
Eu: Mas Sr. Excelência, a
ponte está caindo e vai acabar matando pessoas, tudo porque usaram material
inferior, porque a verba foi desviada.
Sr. X: Lembre e escreva
aí. Desviada para uma obra de Deus. Deus protegerá as pessoas dessa cidade.
Eu. Excelência, mas estão
dizendo que o dinheiro desviado foi para construir uma piscina e churrasqueira
em sua mansão.
Sr. X. Então, minha casa também
é uma obra de Deus. Afinal sou o mensageiro de Deus.
Eu: O sr. Não acha que o
senhor é muito desonesto para ser mensageiro de Deus.
Sr. X: Vamos terminar
essa entrevista.
Eu: mas o senhor é
candidato. Fale como será sua campanha.
Sr. X: O povo sabe quem
eu sou. Sabe que metade do meu salário vai para a igreja e para as cestas
básicas que a igreja distribui.
Eu: Mas Excelência,
distribuir cestas básicas é compra de votos.
Sr. X: Você, rapazinho
insolente, não entende de política.
O sujeito, homem de Deus,
construtor da obra divina, fechou o semblante e ameaçou jogar um cinzeiro em
mim. Ao sair, contemplei a fachada de sua casa e imaginei o quanto de dízimo e
desvio de verbas foi empregado ali. Ao lado do portão um cartaz com o sujeito
com cara de pedinte e a frase vote em mim.
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